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Mostrando postagens de junho, 2017

As condições morais na Colônia.

Que decepção não terá, quem, por longo tempo, esperou pelo crescimento de seus legumes tratado com todo o carinho e, uma certa manhã, encontra toda sua horta destruída? É preciso que a gente se coloque no lugar da pessoa que, já por diversas vezes, foi vítima destas destruições e se não é  tomada uma providência, poder-se-á avaliar as explosões temperamentais das vítimas. É compreensível que, diante das condições judiciais reinantes na Colônia, se tenha estabelecido um certo regime de força. O resultado disto é a feroz caçada aos mansos animais encontrados nas hortas.

Estado das plantas na colônia

BATATINHA O alemão em geral é habituado com batatinha em sua casa. Daí, a falta que o colono tem sentido dela. Contudo a direção conseguiu, no ano passado, boas sementes. A maioria dos colonos, porém, levou à panela parte das que deviam ir para a terra. Uma colheita, embora de inferior qualidade, foi feita pelos portugueses, na olaria. (p.80)

Estado das plantas na Colônia

Muitos destes colonos emigraram, há 22 anos, para o outro lado de Desterro, São Pedro, e dali foram se dispersando. Eram pobres e tiveram que enfrentar grandes dificuldades. Quem, agora, os visitar em suas prósperas Colônias, terá de reconhecer que o Colono laborioso encontra aqui, aquilo que desejou: uma vida modesta, porém farta. Uma propriedade que dificilmente teria conseguido em sua velha e cansada pátria, conquistada pelas próprias mãos e mais ainda, a esperança de um futuro despreocupado com a perspectiva segura de uma velhice tranquila. (p.72)

Composição do solo....

Composição do solo, estradas e meios de transporte

Se estas estradas fossem bem feitas, poder-se-ia conservá-las facilmente. A maioria delas, porém, foi feita por brasileiros, que geralmente, desconhecem um trabalho conscencioso, e constantemente procuram lograr o empregador, além de desconhecerem, totalmente, estes serviços. Por isso que, ao lado de uma madeira boa que, provavelmente resistirá anos, está um pau de palmito, que apodrecerá dentro de uns 6 meses, e não raro, existem atravessados, por baixo destes galhos mais finos, como imitação de ponte.  Para facilidade dos trabalhos, geralmente começam por estenderem no chão, folhas largas que, em pouco tempo, afundam, abrindo buracos na estrada. Quem poderá conservar tais estradas???

Condições de saúde na Colônia em geral

Frankenberg, Kjelstrup

Temperaturas e condições metereológicas

Sobre a situação da Colônia e suas comunicações

Ampliação da Colônia: o Sistema de Construção Brasileira

No geral, adaptou-se o sistema brasileiro nas construções da Colônia, embora se tivesse que pagar um tributo de experiência e se terá que pagar muito ainda. Um exemplo foi a casa do Sr. Aubé, onde residia também o Sr. Schröder. Em pouco tempo, essa casa se viu privada de telhado, a ponto de numa noite de tempestade, terem que se abrigar em baixo da mesa... Identicamente aconteceu à casa do Sr. Poschaan, comida pelos insetos de tal forma que parecia uma peneira!

Ampliação da Colônia: o sistema de construção brasileira

Ampliação da Colônia

Quando o impacto das péssimas impressões dos primeiros dias foram superados, fizeram-se visitas à Colônia, e chegou-se à conclusão de que, para o curto tempo de existência, já se havia feito alguma coisa de útil. Schrödolândia não tinha aspecto de cidade, vila ou coisa parecida, mas que importa o nome?

Chegada da "NEPTUNO" e "EMMA & LOUISE"

Bem sei que pouco se poderá estar dessas associações, devido ao egoísmo e a falta de operosidade, falhas que, infelizmente, as experiências colhidas na Colônia já atestam. E ainda que de 10 associações, uma ou duas vingasse, não teria sido em vão a experiência. Os bons exemplos, só por si, teriam o poder de empurrar os maus elementos para longe, além de que, operosidade e inteligência, fortaleceriam o respeito mútuo e as amizades.  (p.37)

Chegada da "NEPTUNO" e "EMMA & LOUISE"

Quase  meses após a chegada do "Gloriosa", aportou em S. Francisco a barca "Neptuno", depois de uma feliz viagem de 52 dias trazendo a bordo 78 colonos. As esperanças destes passageiros eram maiores do que a de seus antecessores. O que aqueles se reduziam a saber de oitiva ou por ouvir dizer, estes tinham obtido por escrito, numa expressiva carta, em si quase inofensiva, dirigida à administração em Hamburgo pelo Tte. Niemeyer. Havia ela sido escrita para fins publicitários, e fora distribuída profusamente em cópias entre pretendentes. Maior foi a decepção destes recém-chegados quando, já a bordo e à sua chegada, alguns envenenados veteranos pintaram em cores negras as condições reinantes na Colônia. Quem tivesse visto as miragens fantásticas dessas publicações e deparasse com um ancoradouro que era um misto de selva e de precariedade nas instalações, tinha que forçosamente chocar-se, ainda mais incitado pelos insatisfeitos. (p.33)

Viagem do "Gloriosa"

Com olhares perscrutadores e ansiosos, procuravam aquele lindo trapiche que viram nas publicações e as casinhas bonitas com floridos jardins. Mas, até onde a vista alcançava, só viam tocos de árvores com capoeiras. Só bem distante viam umas casinhas de sapé e um péssimo caminho a conduzir até lá. Uma refeição frugal oferecida, hospitaleiramente, pelo representante do Príncipe e o sr. Schröder, para em seguida irmos para o local da recepção.

Viagem do Gloriosa

Sentimo-nos assaltados por um sentimento indefinível, uma recordação da infância com a contemplação das diversas constelações de estrelas, tão antigas companheiras que nos vêm acompanhando por tantos anos, até se despedirem no horizonte. O último companheiro da velha pátria nos acena em despedida, ele quer partir. O adeus é uma curiosa invenção. Aos poucos vai nos entregando ao companheiro celestial no outro extremo, o festivo e brilhante Cruzeiro do Sul, com seus acompanhantes, Castor e Pollux... Adeus pátria querida! Eu te saúdo, oh! nova pátria, com teu véu impenetrável! Assim o tempo se vai escoando e só os dias de calmaria se tornam monótonos, embora preenchidos pela caça às tartarugas e tubarões ou medusas que, depois de pescadas, ainda continuam seus grasciosos movimentos em baldes com água, divertindo os passageiros. (p.28)

Viagem do "Gloriosa"

Quem já assistiu a uma partida de navio com emigrantes, conhece a tristeza das fisionomias e a mescla de sentimentos que nelas se estampam. Nalgumas é a tristeza de deixar a pátria, os amigos e parentes, noutros, são as lágrimas que não podem conter. O que se poderá ler nas diversas fisionomias? Aquele, estampa no rosto enrugado os sinais da incerteza, suavizados por um lampejo de esperança. Medroso pensador sem tomar conhecimento do que o rodeia, está aqui o homem que as circunstâncias obrigaram a deixar o aconchego da família, aos amigos e a cara pátria, talvez para nunca mais revê-los. Ali, brincam e riem alguns aventureiros, que não têm o que perder; lá chora a mãe abraçada aos filhos, despedindo-se do marido que parte na frente, para a incerteza e o vago, procurando evitar os olhares tristes da esposa. Em vão ressoam dos mastros os monótonos brados dos marujos na sua faina cotidiana. (p.23)

A "Sociedade Colonizadora" - Caso Günther (continuação)

Se o Sr. Günther se tivesse interessado mais pela localização da Colônia, portanto a mil metros acima do local de desembarque havia um local ideal (onde hoje existe uma olaria) tudo teria tomado um rumo melhor. Muitas vidas teriam sido poupadas, porque, mais acima, a vegetação era menos densa, o ar mais puro e a topografia mais apropriada para a fundação da Colônia. Além desses males que ele causou, ainda prejudicou o bom nome da Colonização, pela imoralidade de sua conduta particular, de sua união toda angelical com Julie Engell. Sem qualquer punição, pôde retirar-se para o Rio, onde consta ter-se estabelecido com um bar. A maioria dos prejudicados talvez nunca tenha descoberto qual o verdadeiro culpado pelos seus sofrimentos. (p.18)

A "Sociedade Colonizadora" - Caso Günther

Günther chegou em fins de 1849 ao Rio de Janeiro. Como muita coisa a respeito da colonização e o Governo brasileiro se teria que acertar, atrasadamente ele só em maio de 50, conforme atrás já foi dito, é que, de fato, chegou à Colônia. Em setembro, voltou ao Rio, ocasião em que solicitou da Agência da Casa Schröder & Cia., roupas para um pobre homem que deveria funcionar como seu criado e deveria acompanhá-lo. Mais tarde, descobriu-se que, este criado era, em verdade, nada mais ou nada menos do que do sexo feminino e era uma berlinense de nome Julie Engell. Este "anjo" aventureiro, vindo da Austrália e de passagem pelo Rio, se uniu a Günther. Dela sao as excelentes gravuras publicadas no "Leipzieger Illustrierte" e talvez os relatórios muito róseos, enviados àquele jornal. Por ocasião de minha partida da Colônia, ainda reinava a desolação, em lugar das condições excelentes que existiam somente na fantasia de Julie Engell (em verdade, uma análise bem fria e poste...

A "Sociedade Colonizadora"

Tudo parecia azul e a procura aumentara, entre todas as classes sociais, No que se iria pôr em dúvidas na honestidade desta propaganda, quando à frente desta organização estava uma das figuras mais representativas de Hamburgo? Além disso, corriam incessantes boatos de que o próprio Príncipe iria fixar-se à Colônia. Segundo as mesmas notícias, a Casa Real brasileira tomava interesse pelo florescimento da Colônia. Noticiava-se o plano de ligação dela com a capital por meio de navios a vapor, com cabotagem em certos pontos. Os relatórios de   Günther, deram a tudo isto um relevo tal, que não é de admirar o grande interesse suscitado pela Colônia, acabando com as dúvidas, que, em muitos, ainda persistiam.  Infelizmente, a verdade era outra. A nomeação do Sr.  Günther para diretor da Colônia deverá ser considerado como primeiro grande erro. Seus desmandos não poderiam ficar sem consequências. Invejas e protecionismos não haveriam de deixar sem danos uma planta cultivada co...

Introdução

Se o emigrante apresentar todas as qualidades até aqui aventadas, poderá vencer. Porém, sob a condição de que o local para a colonização não haja sido mal escolhido. Em primeiro lugar, é essencialmente necessário um clima saudável. Não será, no entanto, muito fácil esta escolha. Para o nativo é suficiente que as epidemias sejam raras para que muitos alcancem idade avançada. Para eles, corroborando estas circunstâncias, basta que a região seja declarada saudável. Restará, porém, a pergunta: -as mesmas condições servirão para europeus? (p.8)

Introdução

Nos livros, juntam-se as coisas mais agradáveis e interessantes. Porém as desinteressantes, que compõem o quotidiano e se encontram nas entrelinhas, sobre isso eles calam. Finalmente, vêm aqueles à procura de aventuras e do imprevisto. Estes sim, podem encontrar plena satisfação. O que para uns representa desenganos e motivo de desespero, para outros, na maioria das vezes, é acontecimento natural, pois a vida tem um colorido completamente diferente. Seria de desejar-se aos jovens que, em Paris, Londres e outras cidades grandes, gastam milhões sob rubrica de "Educação e Aperfeiçoamento" encetassem viagem à América e viessem aprender em contato com a natureza.  (p.7-8)

Introdução

[...] colocaremos aqui a virtude como condição para o emigrante, uma vez que sem ela não há chancede se conseguir relativo sucesso e de se alcançar, em sua cabana, com a família, uma sombra de felicidade. Infelizmente, ninguém vive somente de virtudes, e embora se possua temperança e operosidade, ainda será pouco para encetar esta viagem. Em primeiro lugar, está a fortuna de uma excelente saúde, com a qual o emigrante deve contar, principalmente aquele que vai para climas quentes. (p.3)

Sobre este blog

Este blog é criado com fins educacionais, a ser utilizado durante o ano de 2017 em aulas da disciplina de Literatura Brasileira III, no curso de Letras da UNIVILLE - Universidade da Região de Joinville. As postagens consistirão de fragmentos textuais retirados do livro "A Colônia Dona Francisca no Sul do Brasil", de autoria de Theodor Rodowicz-Oswiecimski.